O Jornal  |  Parceiros  |  Contato
Página principal
Clique para visualizar a foto completa
 
publicidade
 
 
publicidade


Dedo na ferida
04/07/2013
O plebiscito é somente para inglês ver


Talvez tenha sido eu que não tenha entendido direito, mas a proposta do plebiscito encaminhado ao Congresso Nacional pela presidente Dilma Rousseff como um dos pilares do seu pacto nacional visando a reforma política no Brasil é para inglês ver. Para tirar o foco dos protestos. Ou a presidente ainda não entendeu a seriedade do clamor das ruas. Não me lembro de ter visto cartaz nas manifestações reivindicando uma reforma política.

O texto contém cinco temas e só estabelecem regras específicas ao parlamento e nenhum deles fala em Saúde, Educação, Habitação, Transporte, Cultura, entre outros, que, verdadeiramente, geraram o protesto popular. Também não existe nenhum que aborde as mordomias dos parlamentares, que vivem, nababescamente, dos impostos que saem do bolso de cada brasileiro.

Vejamos os temas: financiamento de campanha; sistema de eleição de deputados e vereadores; modelo de suplência de senador; existência de coligações em eleições para deputado e vereador, e fim do voto secreto no Parlamento. E eu, nesse contexto, incluiria mais um: o fim da obrigatoriedade do voto. Os temas são importantes, sim, mas não é isso que o povo pleiteia nesse momento. Isso sem falar que cada item passará por debates e discursos intermináveis.

Não nos esqueçamos da Constituição (ela existe!) que reza que qualquer alteração na legislação eleitoral precisa ser aprovada com pelo menos um ano de antecedência para valer no próximo pleito. Certo? Como a eleição de 2014 acontece em 5 de outubro, existe um prazo de apenas três meses para que possíveis mudanças sejam realizadas. Com isso, se o plebiscito for feito até setembro, como está sendo cogitado, os congressistas terão menos de um mês para votar as propostas. Do contrário, as alterações (se houverem) passariam a valer apenas na eleição municipal de 2016.

E posso estar errado (e quero estar), mas qual desses cinco itens poderá ser implantado a curto prazo? Talvez apenas dois: o modelo de suplência no Senado Federal onde um suplente, pode assumir uma cadeira sem ter conquistado um voto sequer, uma vergonha que até os senadores reconhecem, menos eles (os suplentes), e o fim do voto secreto uma aberração que já deveria estar enterrada junto com a Ditadura.

E o texto é genérico e não querendo, absolutamente, menosprezar quem quer que seja, vamos observar a realidade dos fatos. Será que a maioria da população que é avessa a temas políticos, terá condição de dizer o sistema que ela quer para eleger quem a representa? Vai entender o que é voto distrital ou misto? Ou o fim das coligações proporcionais? Ou financiamento de campanha? Deus do céu! Existem milhões (eu disse milhões) de cidadãos analfabetos (ou semi) que ainda trocam o voto por um prato de comida e acreditam que saem no lucro!

Façamos nós um exercício simples: você (querido leitor) poderia fazer um questionamento no meio onde vive com colegas de trabalho, amigos e familiares. Pergunte se eles sabem o significado desses itens todos. Garanto que poucos dominam o assunto. Gente! Se o brasileiro entendesse de política e os desmandos dos políticos, provavelmente, o Congresso Nacional, que é um verdadeiro balcão de negociatas espúrias, estaria extinto. A esmagadora maioria que está lá só legisla em causa própria. São raras as exceções. E deveria ser o contrário.

Só torço que essa geração que hoje está saindo às ruas, pleiteando apenas o que é justo e que “balançou” as estruturas governamentais brasileiras não esmoreça e seja espelho para as que virão. Pois, só assim, é que teremos um Brasil igual para todos e não para uns poucos privilegiados, que não medem consequências dos atos e entendem ser correto enriquecer a custa do sofrimento alheio.
 
publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade



COMPARTILHAR  

Indicar a um amigo

   
publicidade
      
publicidade

publicidade
      
publicidade


Voltar
2014 - Acontece Botucatu - Todos os direitos reservados
Contatos : fone/fax (14) 3813-2505 / 99798-8673 - email : acontecebotucatu@hotmail.com